Telha Cerâmica - algumas dúvidas ao escolher a melhor para sua obra

Telha Cerâmica - algumas dúvidas ao escolher a melhor para sua obra

Leve em conta o estilo de sua casa e a inclinação do telhado antes de escolher as peças e não abra mão de contratar um engenheiro que projete uma estrutura sob medida para apoiá-las.

O primeiro passo para um bom telhado
Tudo começa com um projeto específico para essa estrutura – esse estudo caminha junto com o da casa. Cabe ao arquiteto ou engenheiro desenhá-lo de acordo com o estilo arquitetônico da moradia e planejar os detalhes. Por exemplo: o peso da cobertura ficará apoiado numa laje ou haverá tesouras? E quais os melhores locais para apoiá-las? Onde ficarão as caixas d’água? O uso ou não do forro também faz parte dessas indagações – pois, como será fixado na estrutura, ele entrará na conta do dimensionamento das vigas. Com todos esses pontos esclarecidos, parte-se para o cálculo da estrutura e a escolha dos materiais.

Qual a melhor telha para sua casa
Isso depende do estilo da casa, da inclinação do telhado e do preço que você está disposto a pagar… Ao eleger os critérios, não se deixe levar apenas pela aparência e custo. Os especialistas lembram ainda a importância de conferir se produto atende às normas técnicas que garantem a qualidade.

Se você quer:
Durabilidade: fique com a cerâmica e o concreto. Existem telhados feitos há mais de 100 anos com peças de barro que continuam em bom estado. O concreto, mais resistente e impermeável que a cerâmica, também é uma boa pedida: alguns fabricantes oferecem 20 anos de garantia.

Economia: há modelos de cerâmica vermelha, como romana e portuguesa, com preços bastante convidativos. O fibrocimento figura entre as alternativas mais baratas, mas, em geral, fica destinada a áreas menos nobres da casa, como garagens.

Versatilidade: as chapas metálicas e de policarbonato admitem curvaturas, por isso se afinam com estruturas metálicas, igualmente maleáveis.

Leveza: telhas plásticas, metálicas e de fibrocimento têm menor peso por m², o que permite fazer uma estrutura menos robusta e mais barata.

Rapidez: as peças de fibrocimento, plástico e metal agilizam a instalação, pois são grandes. No caso das metálicas, elas podem ser dimensionadas de acordo com o projeto.

Conforto térmico: a cerâmica é o material mais adequado ao nosso clima. Se preferir o concreto, lembre-se de que os tons escuros retêm o calor e por isso, são indicados para as regiões frias. No caso do metal, é preciso recheio de poliuretano, lã de rocha ou lã de vidro para barrar a entrada de calor no verão e a saída dele no inverno.

Que características devem ser observadas na hora da compra
Desde 2005, o verso das telhas deve marcar o número da galga média – distância entre as ripas do telhado – e o rendimento útil, que indica quantas peças cobrem o metro quadrado. “Isso permite a comparação de preços e a identificação da quantidade certa para a obra”, diz Antônio Carlos Pereira, do Sindicato da Indústria da Cerâmica para a Construção do Estado de São Paulo (Sindicercon-SP). Para se aperfeiçoarem, as normas das telhas de concreto também mudarão no fim de 2006. “Entre as novidades, está a exigência do teste de chuva simulada para a aprovação do lote”, revela a engenheira Juliana Ferreira, do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento (Sinaprocim).

Como saber se uma telha é de qualidade
O único material que possui programa de qualidade é o cerâmico. A forma mais simples de assegurar a excelência da compra é escolher peças certificadas pelo Centro Cerâmico do Brasil (CCB), órgão creditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). “A certificação não é obrigatória nem significa que um produto com o nosso selo seja melhor. Mas assegura a qualidade de todo o processo produtivo das telhas”, explica a engenheira Maria Luiza Tomé, do CCB.

Qual a relação entre o tipo de telha e a inclinação do telhado
O estilo da casa tem tudo a ver com a inclinação do telhado, por isso ela deve ser definida já no projeto. Expressa em porcentagem ou em graus, é calculada por meio da seguinte fórmula:
I= hx100/b
I= inclinação
h= altura
b= base

Quando a altura do telhado é igual ao comprimento da base, a inclinação é de 100%. Se ultrapassá-lo, será maior. Quanto mais alta a cobertura, mais inclinadas serão suas águas.

De tão importante, a inclinação do telhado determina o tipo de telha. Para que protejam eficientemente a casa da água das chuvas, é preciso que as telhas – de qualquer modelo e material – sejam instaladas de acordo com a inclinação mínima indicada pelo fabricante. Caso contrário, podem surgir vazamentos. A única alternativa para desobedecer a essa regra é acrescentar uma proteção extra, a subcobertura. Em outras palavras: toda vez que o caimento do telhado for menor do que o exigido para o modelo de telha escolhido, deve-se lançar mão dessa barreira impermeável. Informar-se da inclinação máxima também é indicado, já que esse número quando alto obriga a amarração das telhas nas ripas da estrutura.

A maioria dos modelos de cerâmica, de concreto e de vidro vai bem com inclinações entre 20 e 40%. Já as coberturas de metal, de fibrocimento e de policarbonato aceitam inclinações baixas, cerca de 5%.

Quando a amarração é necessária
Em coberturas sujeitas a ventos fortes ou com inclinação igual ou superior a 40%, a medida evita o desprendimento ou o deslizamento das telhas. As peças dos beirais sempre devem ser amarradas. Para isso, utiliza-se arame de cobre ou uma opção mais barata, o galvanizado. Mas, para o último, atenção: seu uso não é recomendado no litoral, já que resiste menos a oxidação e deterioração.

Devo comprar por milheiro?
O melhor é saber o rendimento da telha por m². Multiplicando pela metragem do telhado, você fará uma compra mais precisa. Com o milheiro (mil telhas), o consumidor perde unidade de comparação, o que dificulta sua análise sobre os custos. Se preferir um modelo pequeno, atenção: “Quanto menor a peça, maior a quantidade por área, o que torna o conjunto pesado e exige mais madeiramento”, lembra o engenheiro Fúlvio Berçot Miranda, de São Paulo.

As telhas podem mudar de cor ao longo do tempo?
Sim, isso pode acontecer. A cor não faz parte do pacote de garantias do CCB. Isso porque a resistência e a durabilidade da pintura das telhas ainda não foram avaliadas nos laboratórios credenciados pelo Inmetro. “O consumidor conta apenas com a palavra do fabricante”, explica José Octávio Armani Paschoal. A presença do selo não significa imunidade a danos. “Mas, se eles ocorrerem, o consumidor conta com técnicos do CCB, que atendem a chamados de todo o país em até cinco dias úteis, para identificar a causa do problema”, diz José Octávio Armani Paschoal, presidente da entidade. “Se forem as telhas, obrigamos o fabricante a trocá-las”, assegura.

Cerâmica: se tingidas com pintura eletrostática, elas resistem mais contra a formação de gretas e a despigmentação. Já a resina acrílica à base de água está mais suscetível à descoloração. Sobre o esmalte cerâmico podem surgir fissuras, sobretudo em cores claras, que encardem com a poeira. Concreto: a coloração ocorre durante a fabricação da massa. A resina, apesar de conferir brilho e lisura às telhas, deixa a superfície exposta a rachaduras.

Posso pintar as telhas de cerâmica?
Sim. “Mas comprar a telha já colorida vale mais a pena diz Gustavo Sbrissa, da Aldebarã, em São Paulo. Ele explica que a pintura dura só três anos. Nesse caso emprega-se produto com resina alquídica, como as tintas especiais da Globo ou Akzo Nobel. “E as telhas devem ser imersas na tinta, ou o risco de descascar aumenta,” orienta o químico Josias M. da Silva, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). O processo é trabalhoso. Envolve a retirada, a lavagem, a pintura e a reinstalação das telhas, etapas que podem não render bons resultados em termos de durabilidade e aspecto visual.

Fonte: www.casa.abril.com.br

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